Diagramas elétricos sem “réguas”

Por | 24 de janeiro de 2019

Por Fábio Ribeiro von Glehn


As “réguas” são utilizadas para para evitar o trançado de linhas no papel e orientar o leitor sobre onde procurar a continuidade da informação. Como iríamos ler DIAGRAMAS ELÉTRICOS seguindo as orientações da imagem utilizada na chamada do artigo?

Mesmo com as réguas uma organização do posicionamento dos componentes ajudaria e muito o leitor se houver um cuidado maior de quem elabora o lay-out, veja.

Infelizmente a realidade que encontramos nos diagramas que usam réguas não é tão simples quanto o nosso exemplo. Vamos a um caso real de um desenho para o controle do motor.

A primeira observação que se faz nesse diagrama é quantidade de páginas. Além disso, existe um outro problema que dificulta o diagnóstico. Vou pegar um componente que aparece na página 10 e destacá-lo.

Das quatro ligações do componente destacado, apenas 1 se encerra na própria página. Perceba o raciocínio do diagnóstico sendo substituído por navegação no diagrama!

Para não alongar o artigo, vou seguir apenas o fio preto, ou seja, seguir o diagrama da página 10 para a página 17 à procura do link 122 na posição 213 da régua. Veja na figura a seguir:

Chegamos a um grande impasse. Além do link para retornar ao ponto 122, aparece as ligações ao conector T32a e T3f, outros links (150, 143, 35, 119, 137) e uma informação a ser consultada na legenda ao lado do desenho, B277. A legenda dá a informação que B277 é uma ligação positiva 15 no chicote principal (removi da figura para manter uma certa legibilidade na imagem do desenho).

Então agora é continuar navegando link a link até encontrar aquela que venha a mostrar provavelmente um fusível de proteção a esse circuito. A experiência me levaria a procurar primeiro pelo link 35 por ser o de menor valor e porque essa montadora tem o costume de desenhar todas as derivações de fusíveis nas páginas iniciais. Se fizermos isso, chegaremos ao fusível 34.

Esse esforço de navegação, ainda que se use recursos computacionais para chegar de um ponto da régua a outro, não ajuda no diagnóstico porque gera uma “distração” ao raciocínio.

Como ficaria essas 17 páginas dentro das nossas regras de desenho? E como seria apresentado o relé destacado neste artigo? Veja

As 17 páginas foram reduzidas a 2 (com muita sobra de espaço) e as ligações do relé exemplo são vistas sem a necessidade de buscar a “régua”. Se a continuidade do diagnóstico exigir o conhecimento de todas as ligações ao fusível 34, então a solução tecnológica é mudar o ângulo de visão e solicitar um detalhamento do fusível escolhido através do pinout gráfico:

Como o pinout gráfico e o diagrama elétrico são apresentados em abas paralelas no navegador, o retorno ao diagrama elétrico exige apenas um click, mas a ideia é que se o profissional solicitou o detalhamento pelo pinout gráfico é porque o defeito já havia sido cercado lá no diagrama elétrico, então não haverá quebra de raciocínio se sim uma continuação na busca pela causa.

De qualquer forma é importante salientar que as “réguas” ajudam a eliminar o problema de linhas trançadas no desenho, mas seu uso excessivo gera uma fragmentação indesejável ao diagnóstico. Perder uma linha de raciocínio pode significar muitos minutos de trabalho a mais que poderiam ter sido evitados se o responsável pela elaboração do lay-out do diagrama usasse mais o tempo dele para economizar o tempo do leitor.