Injeção Eletrônica I

Por | 19 de junho de 2016

Os sistemas de injeção eletrônica e ignição digital, desde que foram lançados primeiramente no Gol GTI, substituíram neste curtíssimo espaço de tempo o carburador e a distribuição convencional.

Para iniciar, em primeiro lugar é preciso entender ‘o por que’ e ‘o que’ mudou com a injeção eletrônica e a ignição digital. Os motores do ciclo otto continuam sendo motores de 4 tempos com ignição por centelha, isso significa que:

  1. A termodinâmica do motor e seus órgãos móveis permanecem inalterados, ou seja, o motor continua realizando a admissão, a compressão e a expansão e descarga; a centelha continua ocorrendo momentos antes do ponto morto superior (PMS) do cilindro que está em compressão e os sistemas de abertura e fechamentos das válvulas, de movimento do pistão, da árvore de manivelas, etc. continuam com a mesma finalidade e princípio  de funcionamento;
  2. O sistema de lubrificação e o sistema de arrefecimento do motor também não foram modificados;
  3. O sistema de alimentação, do ponto de vista da mistura-ar-combustível, permanece também inalterado, ou seja, para se realizar uma perfeita queima há a necessidade de uma determinada quantidade de ar e de combustível;
  4. Também no sistema de ignição não há modificação, a centelha deve ocorrer momentos antes do PMS do cilindro que está em compressão.

Quais modificações foram feitas?

O sistema de gerenciamento da dosagem de combustível e o gerenciamento da distribuição da centelha foram modificados. Tanto num caso como no outro, os elementos mecânicos como giglês, tubo emulsionador, válvulas agulha, diafragmas, borboleta afogadora, avanço e vácuo e centrífugo, foram substituídos por elementos eletrônicos chamados sensores e atuadores, comandados por uma Unidade de Controle do Motor (UCM/ECU).


Por que o carburador e o distribuidor convencional foram substituídos?

Pela necessidade de controlar não somente o funcionamento do motor, mas também a necessidade de minimizar a emissão de poluentes. Com o sistema convencional não é possível, mecanicamente, atingir os baixos níveis de emissão de poluentes exigidos por lei, compatibilizados com um bom funcionamento do motor, daí a solução em substituí-los por um sistema de injeção eletrônica e ignição digital.

Com estes novos sistemas, as informações do estado do funcionamento do motor são detectadas por sensores (componentes eletrônicos que transformam sinais mecânicos ou físicos em sinais elétricos) e enviadas à ECU, que através de estratégia específica, comanda os atuadores (componentes eletrônicos que transformam sinais elétricos em deslocamento mecânico).

Sensores (componentes eletrônicos que transformam sinais mecânicos ou físicos em sinais elétricos)

Desta forma, a ECU conhecendo as necessidades do motor através de seus sensores, deve determinar quanto tempo um eletroinjetor (atuador) ficará aberto para que se tenha uma dosagem ideal ar-combustível de modo a compatibilizar o bom funcionamento com o mínimo de poluentes. Do mesmo modo, deve comandar a bobina (atuador) para se obter o avanço de ignição ideal. Além disso, todos os ajustes mecânicos, como rotação de marcha lenta, ajuste de ‘CO’, afogador, etc. deverão ser substituídos por elementos (sensores e atuadores) eletrônicos de modo a garantir o perfeito funcionamento sem a ação corretiva do mecânico ou do motorista.

Atuadores (componentes eletrônicos que transformam sinais elétricos em deslocamento mecânico)

Como podem perceber, um conhecimento mínimo da eletricidade e do electromagnetismo são imprescindíveis para o profissional. Isto porque existem dois modos de diagnosticar um inconveniente em um sistema de injeção / ignição eletrônica:

  1. Com um equipamento de diagnose (scanner) de ampliação específica para cada modelo, de modo que a própria ECU passa a informá-lo das condições do motor;
  2.  Analisando os sinais eletrônicos de cada sensor e de cada atuador através de uso de um multímetro.

No primeiro caso, temos conforto, segurança, produtividade e marketing junto ao Cliente. No segundo, necessitamos do diagrama elétrico (desenho) do sistema de injeção / ignição e teremos que realizar o teste ponto a ponto até um perfeito diagnóstico, porém com uma análise muito mais ampla, abrangendo inclusive os casos onde o método anterior não foi capaz de detectar, tornando este segundo método complementar e independente do primeiro.


O que será mostrado nas próximas publicações?

Você terá uma noção do que é injeção eletrônica, porque esta tecnologia vem gradativamente substituindo os sistemas carburados e como realizar uma manutenção nestes sistemas utilizando-se apenas de instrumentos de uso genérico como por exemplo multímetros, manômetros e bombas de vácuo.

De um modo simplificado, você terá condições de realizar testes e averiguar possíveis causas dos inconvenientes e anomalias que com frequência se tem em sistemas com injeção eletrônica.

Os diagramas elétricos dos veículos das montadoras nacionais foram redesenhados com quatro objetivos a saber:

  1. A finalidade do diagrama elétrico é didática, não se importando com cores de fios, bitolas, conectores intermediários ou mesmo com a localização física dos componentes;
  2. A abrangência dos modelos atinge até os veículos lançados em 2001;
  3. O diagrama elétrico do sistema deve ficar limitado a uma única página;
  4. Deve-se evitar o cruzamento de linhas representativas dos fios elétricos.

Pela metodologia utilizada, o diagrama elétrico é a mais importante ferramenta do Profissional que trabalha com a injeção eletrônica e saber interpretá-lo deve ser o objetivo de quem pretende ganhar autoridade no assunto.

 

Conteúdo disponibilizado en diagweb.com.br – DIAG01 

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